Ouvi as histórias de uma cantora que tem uma voz muito expressiva e uma música contangiante. Disseram-me que ela andava sempre pedrada, com droga ou com álcool, ou que mais. Que é sempre uma incógnita se os concertos se realizam ou se ela está demasiado ébria para actuar… histórias tristes, acho eu.
Nem as conhecia, quando ouvi a música dela. Na verdade, nem sabia o nome dela, tampouco. Não fazia diferença. A música era do meu agrado e isso bastava…
Agora, faz-me muita impresão que haja uma multidão que, quando se fala na cantora, a primeira coisa que refira é o seu triste estado de degradação, como se estivessem a falar de um cavalo de corrida ou de uma novela qualquer.
E que acabe mesmo por ir ver os concertos na expectativa de ver a “animação” paralela.
Pior é haver toda uma máquina de fazer dinheiro a explorar essa mesma condição, chupando a galinha dos ovos de ouro até ela (provavelmente) se mirrar, finar ou outras coisas semelhantes que demonstrem uma morte anunciada por “exicação”.
Não haverá ninguém do grupo de amigos da onça que lhe trave a queda? Recuperações e recuperações…
Parece que se trata de uma operação de eutanásia, que “pelo menos” vai distribuindo dividendos em paralelo:
- trabalho à equipa
- vendas de discos
- entretenimento e tema de conversa
Esquecendo, pelo meio, que trata-se de uma pessoa de carne (pouca, cada vez menos), não de plástico. Como qualquer outra.
Caramba, se o que ela quer é fugir do mundo e ninguém está disposto a travá-la, então deixem-na fugir! Mas aplaudir ou explorar essa tristeza isso é demasiado degradante.
Desumano.