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o tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. o tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tinhaArquivo para vidas
o fim da infância
O fim da infância é quando percebemos que não há justiça nas regras da vida, que o bem e o mal não são claros e definidos, que por isso o primeiro não vence sempre o segundo e que não adianta pensar que ser-se “bom” é sinónimo de ser-se “feliz”. Que não são só os maus que levam castigos, que os bons também os levam (vá-se lá saber porquê).
Basta ver qualquer programa dos canais abertos da manhã ou da tarde para perceber que tudo o que diz respeito às ideias de bem e mal e justeza não têm paralelo no dia-a-dia. Nem é preciso ler Nietsche.
O fim da infância é tramado. Para adolescentes com dúvidas, recomendo Maquiavel – o clássico “O Príncipe”, apropriado a jovens em maturação e que ainda sonhem com um mundo justo, daquela forma pura e bela que apenas pode existir nessas idades.
Para quem não goste muito de ler, aconselho http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_S%C3%B3crates e fica-se logo com uma ideia de como o conceito de justiça é volúvel como o humor de uma louva-a-deus.
go baby
Gone Baby Gone é um filme bom.
Não, não pretendo fazer crítica cinematográfica. Não faria qualquer sentido.
Mas este filme é bom porque deixa um nó no estômago que não é de repulsa.
O filme entranha-se lentamente, primeiro no nível de atenção mais imediatista, depois naquele que está mais concentrado nos pormenores (até agora nada demais), mas continua a entranhar-se até às camadas mais protegidas da razão.
No fim do filme, já está num nível em que o desconforto é latente e inexpressável. Quando as questões morais borbulham sem um fluxo orientado. E passado dias, continua a entranhar-se, mais e mais fundo. Não sai da memória. Deixou lá uma cicatriz qualquer que, provavelmente, daqui a uns anos poderá ser confundida com uma experiência real.
Porque é que não fiquei em casa?
O filme é bom, mas vai assombrar-me ainda uns tempos!
(trailers em http://www.youtube.com/watch?v=j_F_SH07nsE)
Crise na habitação
Sim, não é só nas grandes cidades que se têm de apinhar pessoas em torres!
No Alentejo profundo já chegou a crise na habitação!
